pressão

Agosto 20, 2008

Sempre gostou de trabalhar sob pressão. Sentia-se melhor quando estava exposta a situações que exigiam rapidez e esperteza. Afinal, nunca conseguia planejar nada. Apenas aqueles pequenos planos, sonhos bobos que alegram o dia. Não guardou dinheiro, não comprou uma casa, não tem um computador – sequer um cachorro – e as poucas tranqueiras que tem em seu nome ou estão parceladas – ou seja, não são dela – ou faturadas no cartão de crédito, que também não é dinheiro dela.

Na verdade ela nunca sequer pensou que dinheiro seria um problema. Não porque fosse rica ou tivesse ganhado na mega sena. Nunca pensou em grana como problema porque considerava, de antemão, que não realizaria seus sonhos materiais. A menos que casasse com um príncipe encantado rico. Já os sonhos imateriais, esses um pouco mais simples de se resolver, caminhavam conforme o a vida mandava.

Um dia viu-se em nova situação. Os sonhos materiais podiam ser realizados, porque ela ganhava para tal, fruto de seu trabalho árduo, mas ainda assim, não dava conta de pagar tudo aquilo que precisava ser pago. A vida é cara. Cara financeiramente.

Mas o que mais a surpreendeu é que o preço caro da vida financeira sempre vinha acrescido de taxas de juros altíssimas, corrigidas pelo desgaste emocional, pela incerteza espiritual e pela falta de amor próprio.

Sempre quis extrapolar seus limites. Dizia à mãe, nos momentos de dificuldades, “Não, mãe. Eu consigo. Meu lema é eu nunca desisto”. Hoje,  sente falta dessa coragem inocente que a fazia acreditar que apenas a vontade de não desistir bastava para solucionar os problemas.

Agora ela sonha em voltar a ter coragem. E deseja também braços, pernas, coração e cabeça mais fortes para enfrentar as dificuldades, mas se perde em seu próprio desespero de não saber por onde começar ou como terminar.

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