casa na nuvem

Setembro 29, 2010

Aterrisar no céu, com malas de papel.

Entrar num taxi de nuvens, guiado por um motorista canarinho,

Chegar numa casa flutuante, rodeada por flores amarelas,

De onde exala o cheiro de bolo de chocolate quente.
Na casa de pé direito alto e janelas amplas vive um cachorro salsicha mal-humorado que se regenerou e um gato preto voador. Todos esperam o dia em que as meninas da mamãe voltarão a habitar seus quartos.

Logo que o taxi-nuvem estacionar ela abrirá a porta sorridente, de chinelos e cabelos soltos para recepcionar suas filhinhas.

Trará canecas de leite recheadas de bombom de leite ninho. Servirá no almoço lasanha de massa fininha feita pela vovó. Comeremos todos, como limas novas, ouvindo sempre as mesmas piadas do vovô. Lagartixas passearão pelas paredes azuis da copa e escaparão pela janela por onde se pode ver uma imensa mangueira cantante de cigarras.

O cheiro das damas da noite invadirá a casa no fim da tarde. Estaremos deitadas no sofá. Faremos bagunça. Daremos risada contando coisas dessa e de outras vidas.

Faremos planos, bolaremos idéias malucas, projetos inovadores. Cortinas, vestidos, jantares, decoração de festas para anjos, arcanjos e querubins.

Quando o papai chegar faremos leitinho com toddy e conhaque, nos enfiaremos todos debaixo das cobertas e riremos muito. Depois, aos poucos, um a um, virão todos aqueles sempre amamos partilhar de tão boa circunstância, de tão boas sensações.

E assim viveremos a resina do eterno a respirar felicidade. E nunca mais sentiremos saudade. Estaremos sempre a rir, nunca mais a chorar.