talvez

Outubro 4, 2009

Talvez não fosse para ser. A realidade vivida de bons momentos tinha um papel fugaz. Nem bom, nem mau. Tampouco certo ou errado. Eram somente instantes que precisavam ser vividos para haver boas e felizes lembranças. O prelúdio de uma felicidade – mais madura – anunciada. Afinal de contas, o que seria do amor sereno, nao fossem os tormentos das loucas paixões?

Qual significado maior poderia haver em apaixonar-se não fosse para que se aprenda a amar?

Como saber desfrutar de um amor tranquilo, saboroso, sem conhecer a acidez conflitante de um sentimento enormemente passageiro? Sem resgatar lembranças de segundos tão intensos – de pequenas partículas de poeira suspensas no ar -, cheiros inesquecíveis e toques aquecidos.

Sim. Há saudade. De um passado arrebatador e de um sonho de futuro belíssimo. Como se todos os dias da vida fossem finais felizes de novela. Isso com a ingenuidade de não saber que se houvesse apenas finais felizes, os momentos todos seriam tristes.

ser mãe

Maio 3, 2009

Pego esse espaço emprestado do blog da Irma, ou melhor da madrinha por que afinal, também é para essas coisas. Acho importante escrever sobre essa experiência antes que ela se torne tão presente que algumas lições se percam pelo caminho.

1.A noção do tempo se modifica por completo, parece que muitas coisas cabem em um espaço muito curto e o mais incrível é que você não deu uma de louca, elas simplesmente acontecem e você vai indo, sem saber, literalmente, aonde e como vai chegar, é a certeza de que você realmente não sabe de nada, não sabe para onde vai nem como, só sabe que, de um jeito ou de outro vai chegar, simplesmente descobre que não manda em nada, quando sempre mandou em “quase”tudo.

2.As primeiras sensações: Dobrei de tamanho, de repente eu tinha dois corações em um só, duas vidas em uma só e para isso eu era muito maior do que antes, gigante praticamente ,e tudo isso para garantir a vida de um futuro rebento,( mas devo confessar que era um tamanho assustador, como se eu tivesse 3×3, ai entendi o que significava “coração de mãe”) é uma relação totalmente nova.

Quando se casa (apesar de eu também ser bem nova nesta matéria) você se esforça para continuar sendo você e as suas roupas, seus projetos, seu marido, sua mãe, sua casa, seus amigos e de repente você simplesmente abre mão de tudo isso por alguém que você nem conhece nem nunca viu, (isso é coisa de louco mesmo). Interessante notar que ela é a única pessoa na vida que eu não conheci em algum lugar, na escola, no mercado ou no elevador, ela simplesmente me apareceu, de dentro, quase como uma pintura surrealista.

Ai vem infinitas duvidas e incertezas e ela nasce, (incógnita total como ia ser o dia D, como eu podia não ter a mínima idéia de como seria um dos maiores dias da minha vida? Ou melhor, da vida dela) e um sorriso pequeninho e sem dente de repente conserta tudo, tudo, tudo(que beleza não?rsrsrsr).Mas a vida não é assim e o sorriso vai embora (afinal você não quer que a pequena saia sorrindo depois de um stress daquele tamanho que deve ser nascer)e uma outra leva, gigantesca de duvidas e angustias chegam, misteriosíssimas, e, de novo, de repente, eu sou capaz de resolver as necessidades da minha filha, minha filha, necessidades que eu nunca imaginei. Ser mãe é um ato de entrega, de confiança, de muita fé(em Deus e em você) e de muito amor, muito mesmo, mas é um ato, se você ficar parada acho que muita coisa não acontece, ai eu não quero nem imaginar.

O tempo passa, certas diretrizes básicas vão se constituindo e você começa a cair em si de que nada – NADA- é como antes e começa uma busca angustiante de re-lembrar quem você é, ou foi, por que meu Deus! Como eu não sei mais quem sou? A sua casa mudou, você casou, qualquer pensamento é interrompido por um nhéeee (quando você estava começando a encontrar alguma coisa dentro de si) e você não cabe nem nas suas roupas!!!!!!!!!!!!!(imagina aquela calça que sempre deu aquela alegria nem fechar o zíper) nem triste você chega a ficar, por que de alguma forma só de usar a legging que a sua irma te deu de presente há um ano (e você não sabia usar direito sem parecer que ia na academia) e ter saído das camisolas é uma evolução enorme.

Para ir terminando, existe um consenso de que se ama gigante e incondicionalmente o seu filho e tra la la desde que ele nasce que não é bem assim, e graças a Deus eu li em algum lugar sobre amar em conta-gotas, e é a pura verdade. O amor e a emoção de quando você vê aquela pequena pela primeira vez acho que realmente é o tal do “amor a primeira vista” por que veio de você, de dentro, mas como sabemos amor se constrói ,e é a cada troca de fraldas, a cada mamada, a cada vez que você consegue acordar de madrugada e ganhar um sorriso, quando depois da vacina implora o seu colinho e por mais que o seu braço não agüente mais – por nada nesse mundo você deixa ela sair do seu colo- por cada conquista você ama, ama, ama, ama, ama, ama, ama, e o amor vai ficando de um tamanho sem fim, tão sem fim que é muito fácil se perder nele, e ai a gente entende por que é que é que “amor de – mãe é tudo igual” no começo eu não tinha ciúmes dela, agora eu tenho, eu quero ela grudada no meu colo, no meu abraço para sempre, para sempre, e apesar de ser difícil, muito difícil, eu não troco essa experiência, por nada, nada, nada nessa vida ela realmente é um pedaço de mim, por isso eu preciso nunca deixar de me amar para que ela saiba que a mãe dela, inteira, vai estar sempre ao seu lado, sempre.Te amo Maria Clara, meu chulézinho, minha pequeninha, minha filhota!

Autora: Sheila Minatti Hannuch

uma lembrança inventada

Abril 14, 2009

Quantas saudades sinto das nossas noites juntos. As pernas entrelaçadas e os corpos exaustos deitados sobre o fino colchão da sua nova casa. Cada ambiente explorado com novas sensações. Um brilho no olhar próprio de quem encontrou a pessoa perfeita naquele instante. Sequências de segundos, minutos e horas de puro encantamento. A paz perturbadora de quem se sabe apaixonado. A certeza de que aquilo, ainda que distante, iria acabar. A luz azulada do cair da noite iluminava a sala deixando o cômodo ainda mais acolhedor. O gosto na boca de uma saudade antecipada. Adormecíamos. Pela manhã a mesma janela fazia o tempo parar; suspenso em pequenas partículas de poeira, que com a luz amarela brilhavam. O cheiro de café fresco tomava a casa toda. Aos poucos era necessário despertar.

promessa

Fevereiro 9, 2009

Meu amorzinho.

Faz três dias que você chegou e por conta disso, meu mundo se transformou.

Nunca imaginei que alguém que a gente nem conhece pudesse trazer consigo tamanho sentimento.

Foram meses e mais meses esperando que você chegasse. Umas quarenta semanas – acho – que passaram num piscar de olhos.

Por sua causa aprendi em poucos dias algumas coisas que, tenho certeza, não esquecerei jamais. E que, sem você, eu levaria a vida toda para entender.

É por isso que vou entregar esta carta à sua mãe, que já sabe ler faz tempo, e que vai, um dia, poder contar para você o quão besta eu, sua tia, estava no dia em que você veio ao mundo.dsc00634

 

Mal você chegou e me ensinou uma das lições mais importantes que eu jamais pensei que aprenderia. Eu amo sua mãe. Parece besta, né? Um dia, quem sabe, você vai ter irmãos e vai ver que às vezes é difícil a gente entender que gosta de alguém que veio “pegar o lugar que era só nosso”. Na verdade vi que não é nada disso. Um irmão não pega o lugar do outro, mas cria um novo espaço. Faz crescer o amor, a vida, o sentimento. Irmão – ou irmã no meu caso – não veio prá deixar a minha vida mais difícil e sim para compartilhar a vida comigo. As alegrias, as tristezas, as dificuldades, os pensamentos sobre como deve ser o mundo, sobre como agir com seus avós e por aí vai. Parece um papelão, mas só hoje, aos 25 anos, entendi que eu amo a minha irmã. Meio burronilda a sua tia, né?

 

Outra coisa que você me ensinou. Não importa o que aconteça. A gente sempre encontra alegria no mundo. Como que uma pessoa do seu tamaninho pode trazer tanto prazer, tanto amor, tanta felicidade? Olha só, Pitoca, você traz sorrisos prá todo mundo. Vai trazer sempre. Mesmo que resolva um dia se rebelar, vai saber.

 

Não sei como é ter um tio/tia legal quando você já é gente grande, mas prometo para você. Vou querer ser sua tia mais legal do mundo. Ajudar você a crescer, a enfrentar as coisas da vida. Me comprometi com a sua mãe a ajudar fazer de você um bom ser humano. E, pode ter certeza, vou viver para isso acontecer. Maluco, né?

 

Enfim, sua tia-madrinha só acabou de escrever esse trecho da carta uns 20 dias depois de você nascer. Mas paciência. Com o tempo você vai aprender que a sua tia é meio lenta. E meio cagona também.

Não sou boa de dar muitas declarações de amor. Mas amo você. Amo sua mãe. Vou estar sempre pertinho e sempre do lado de vocês.

 

Com amor.

Titia.

 

 

São Paulo, 05 de fevereiro de 2009.

por que?

Setembro 19, 2008

Por que será que as coisas aconteceram assim? De repente toda essa mudança alegre-dolorida. Tão pequena, delicada e com olhos de gata. Olhos esses que resolveram, por um motivo desconhecido, esconder o brilho. Porém, quando se observa mais profundamente nota-se – lá no fundo – um suspiro guardado, com a esperança de que vai ficar tudo bem. Então, por que será que não está?

Por que tanta angústia, tanta abnegação de si mesma? Por que rejeitar-se em nome de uma terceira vida? Sabe-se disso, e eu entendo assim, que quando há mais de uma é necessário fazer escolhas, mas quando há três vidas é esta terceira que deve ser levada em conta? Vale assim o sacrifício?

Nâo sei, nem sei como escrever. Sei que gosto mais desses olhos do que jamais imaginei. Na verdade descobri, tanto tempo depois, que amo. E já que não encontro as palavras certas vou usar a música do Chico – tomando as devidas precauções e fazendo adaptações – para explicar o que vejo e sinto por ela.

Olha
Será que ela é moça
Será que ela é triste
Será que é o contrário
Será que é pintura
O rosto da atriz

Se ela dança no sétimo céu
Se ela acredita que é outro país
E se ela só decora o seu papel
E se eu pudesse entrar na sua vida

Olha
Será que ela é louça
Será que é de éter
Será que é loucura
Será que é cenário
A casa da atriz

Se ela mora num arranha-céu
E se as paredes são feitas de giz
E se ela chora num quarto de hotel
E se eu pudesse entrar na sua vida

Sim, me leva pra sempre (…)
Me ensina a não andar com os pés no chão
Para sempre é sempre por um triz
Aí, diz quantos desastres tem na minha mão
Diz se é perigoso a gente ser feliz

Olha
Será que é uma estrela
Será que é mentira
Será que é comédia
Será que é divina
A vida da atriz
Se ela um dia despencar do céu
E se os pagantes exigirem bis
E se o arcanjo passar o chapéu