a máquina do tempo

Abril 22, 2009

Não. Ela não tem o poder de adiantar ou parar o tempo real. Ela realiza o tempo do pensamento. Um dia você pensa “vou ali na máquina do tempo viver uma emoção que sonhei”. Pronto. Pega suas coisas e entra no compartimento especial. Depois disso, como que num passe de mágica, o tempo da sua cabeça começa a se concretizar. Do jeito da sua imaginação. Com tudo sempre dando certo – de verdade. O amor secreto correspondido, o desejo realizado, a vingança feita. Tudo acontece de verdade, mas sem remorsos, frustrações ou medos. O preço é lidar com as consequencias reais do tempo imaginado. A tristeza do outro, a paixão que se cria, o encanto que se quebra. A cabeça de quem entra na máquina preserva as memórias, lembranças, sensações. Apenas desaparece o juízo de valor sobre as coisas. Você entraria? Valeria a pena?

desligamento

Novembro 6, 2008

Está partindo. Será?

A cada dia desliga-se mais. Primeiro foi o bom senso. Em seguida o vocabulário, depois os bons modos, a coordenação motora, o olhar, a vergonha, a lembrança de como rezar.

Agora foi-se quase tudo: a energia, a gordura, a pele – sempre frágil. O olhar, aquele por onde se reconhece o indivíduo. Já não tem mais capacidade. Para comer sozinha, engolir sozinha, andar sozinha.

Não sei onde ela está. Se é que está ainda nalgum lugar. Pele e osso simplesmente. E um sentimento triste, de morte diária.

Será assim para ela também? Para nós é assim.

pressão

Agosto 20, 2008

Sempre gostou de trabalhar sob pressão. Sentia-se melhor quando estava exposta a situações que exigiam rapidez e esperteza. Afinal, nunca conseguia planejar nada. Apenas aqueles pequenos planos, sonhos bobos que alegram o dia. Não guardou dinheiro, não comprou uma casa, não tem um computador – sequer um cachorro – e as poucas tranqueiras que tem em seu nome ou estão parceladas – ou seja, não são dela – ou faturadas no cartão de crédito, que também não é dinheiro dela.

Na verdade ela nunca sequer pensou que dinheiro seria um problema. Não porque fosse rica ou tivesse ganhado na mega sena. Nunca pensou em grana como problema porque considerava, de antemão, que não realizaria seus sonhos materiais. A menos que casasse com um príncipe encantado rico. Já os sonhos imateriais, esses um pouco mais simples de se resolver, caminhavam conforme o a vida mandava.

Um dia viu-se em nova situação. Os sonhos materiais podiam ser realizados, porque ela ganhava para tal, fruto de seu trabalho árduo, mas ainda assim, não dava conta de pagar tudo aquilo que precisava ser pago. A vida é cara. Cara financeiramente.

Mas o que mais a surpreendeu é que o preço caro da vida financeira sempre vinha acrescido de taxas de juros altíssimas, corrigidas pelo desgaste emocional, pela incerteza espiritual e pela falta de amor próprio.

Sempre quis extrapolar seus limites. Dizia à mãe, nos momentos de dificuldades, “Não, mãe. Eu consigo. Meu lema é eu nunca desisto”. Hoje,  sente falta dessa coragem inocente que a fazia acreditar que apenas a vontade de não desistir bastava para solucionar os problemas.

Agora ela sonha em voltar a ter coragem. E deseja também braços, pernas, coração e cabeça mais fortes para enfrentar as dificuldades, mas se perde em seu próprio desespero de não saber por onde começar ou como terminar.

resíduo

Maio 29, 2008

Apaixonaram-se. Viveram intensamente cada segundo de suas felicidades frágeis. Acreditaram em caminhar sobre as águas, vencer as distâncias e criar novas vidas.

Descobriram que o tempo, muitas vezes, corre mais rápido do que as pernas alcançam. Que o destino – ou os desígnios – do que vai além do humano, está sempre preparado para se fazer cumprir. Por vias tortuosas, estradas escuras e também por momentos de luz.

E o destino cruel por se saber fazer nos deixa um presente. Um resíduo. Uma pequeníssima memória irreverente que faz valer em um segundo todo o tempo passado vivido. Gostosa saudade, que deixa um quê amargo na boca. 

antitabagismo

Maio 27, 2008

Olha, colocando os radicalismos de lado tenho que admitir que a nova campanha contra os cigarros está genial. As pessoas não têm noção do que é definhar por causa de uma droga fedida. Elas não acreditam que aquilo vai acontecer com elas, mas vai. E se não for com elas, será com o amigo delas, ou com o pai, mãe, irmão, avô, filho. Por isso, embora eu não seja – ou não acho que eu seja – uma ecochata ou a mala anti-cigarro achei por bem postar essas imagens.