ser mãe

Maio 3, 2009

Pego esse espaço emprestado do blog da Irma, ou melhor da madrinha por que afinal, também é para essas coisas. Acho importante escrever sobre essa experiência antes que ela se torne tão presente que algumas lições se percam pelo caminho.

1.A noção do tempo se modifica por completo, parece que muitas coisas cabem em um espaço muito curto e o mais incrível é que você não deu uma de louca, elas simplesmente acontecem e você vai indo, sem saber, literalmente, aonde e como vai chegar, é a certeza de que você realmente não sabe de nada, não sabe para onde vai nem como, só sabe que, de um jeito ou de outro vai chegar, simplesmente descobre que não manda em nada, quando sempre mandou em “quase”tudo.

2.As primeiras sensações: Dobrei de tamanho, de repente eu tinha dois corações em um só, duas vidas em uma só e para isso eu era muito maior do que antes, gigante praticamente ,e tudo isso para garantir a vida de um futuro rebento,( mas devo confessar que era um tamanho assustador, como se eu tivesse 3×3, ai entendi o que significava “coração de mãe”) é uma relação totalmente nova.

Quando se casa (apesar de eu também ser bem nova nesta matéria) você se esforça para continuar sendo você e as suas roupas, seus projetos, seu marido, sua mãe, sua casa, seus amigos e de repente você simplesmente abre mão de tudo isso por alguém que você nem conhece nem nunca viu, (isso é coisa de louco mesmo). Interessante notar que ela é a única pessoa na vida que eu não conheci em algum lugar, na escola, no mercado ou no elevador, ela simplesmente me apareceu, de dentro, quase como uma pintura surrealista.

Ai vem infinitas duvidas e incertezas e ela nasce, (incógnita total como ia ser o dia D, como eu podia não ter a mínima idéia de como seria um dos maiores dias da minha vida? Ou melhor, da vida dela) e um sorriso pequeninho e sem dente de repente conserta tudo, tudo, tudo(que beleza não?rsrsrsr).Mas a vida não é assim e o sorriso vai embora (afinal você não quer que a pequena saia sorrindo depois de um stress daquele tamanho que deve ser nascer)e uma outra leva, gigantesca de duvidas e angustias chegam, misteriosíssimas, e, de novo, de repente, eu sou capaz de resolver as necessidades da minha filha, minha filha, necessidades que eu nunca imaginei. Ser mãe é um ato de entrega, de confiança, de muita fé(em Deus e em você) e de muito amor, muito mesmo, mas é um ato, se você ficar parada acho que muita coisa não acontece, ai eu não quero nem imaginar.

O tempo passa, certas diretrizes básicas vão se constituindo e você começa a cair em si de que nada – NADA- é como antes e começa uma busca angustiante de re-lembrar quem você é, ou foi, por que meu Deus! Como eu não sei mais quem sou? A sua casa mudou, você casou, qualquer pensamento é interrompido por um nhéeee (quando você estava começando a encontrar alguma coisa dentro de si) e você não cabe nem nas suas roupas!!!!!!!!!!!!!(imagina aquela calça que sempre deu aquela alegria nem fechar o zíper) nem triste você chega a ficar, por que de alguma forma só de usar a legging que a sua irma te deu de presente há um ano (e você não sabia usar direito sem parecer que ia na academia) e ter saído das camisolas é uma evolução enorme.

Para ir terminando, existe um consenso de que se ama gigante e incondicionalmente o seu filho e tra la la desde que ele nasce que não é bem assim, e graças a Deus eu li em algum lugar sobre amar em conta-gotas, e é a pura verdade. O amor e a emoção de quando você vê aquela pequena pela primeira vez acho que realmente é o tal do “amor a primeira vista” por que veio de você, de dentro, mas como sabemos amor se constrói ,e é a cada troca de fraldas, a cada mamada, a cada vez que você consegue acordar de madrugada e ganhar um sorriso, quando depois da vacina implora o seu colinho e por mais que o seu braço não agüente mais – por nada nesse mundo você deixa ela sair do seu colo- por cada conquista você ama, ama, ama, ama, ama, ama, ama, e o amor vai ficando de um tamanho sem fim, tão sem fim que é muito fácil se perder nele, e ai a gente entende por que é que é que “amor de – mãe é tudo igual” no começo eu não tinha ciúmes dela, agora eu tenho, eu quero ela grudada no meu colo, no meu abraço para sempre, para sempre, e apesar de ser difícil, muito difícil, eu não troco essa experiência, por nada, nada, nada nessa vida ela realmente é um pedaço de mim, por isso eu preciso nunca deixar de me amar para que ela saiba que a mãe dela, inteira, vai estar sempre ao seu lado, sempre.Te amo Maria Clara, meu chulézinho, minha pequeninha, minha filhota!

Autora: Sheila Minatti Hannuch

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