uma lembrança inventada
Abril 14, 2009
Quantas saudades sinto das nossas noites juntos. As pernas entrelaçadas e os corpos exaustos deitados sobre o fino colchão da sua nova casa. Cada ambiente explorado com novas sensações. Um brilho no olhar próprio de quem encontrou a pessoa perfeita naquele instante. Sequências de segundos, minutos e horas de puro encantamento. A paz perturbadora de quem se sabe apaixonado. A certeza de que aquilo, ainda que distante, iria acabar. A luz azulada do cair da noite iluminava a sala deixando o cômodo ainda mais acolhedor. O gosto na boca de uma saudade antecipada. Adormecíamos. Pela manhã a mesma janela fazia o tempo parar; suspenso em pequenas partículas de poeira, que com a luz amarela brilhavam. O cheiro de café fresco tomava a casa toda. Aos poucos era necessário despertar.
arrivederche
Novembro 27, 2008
língua(gem)
Junho 26, 2008
Penso logo existo.
Escrevo porque não conheço outro modo de expressar. A pré-determinação do sentido das palavras facilita a interpretação das coisas do mundo embora, vez ou outra, surja certa limitação de sentido. Então, recria-se. Nascem neologismos expressados por mentes perturbadas em razão da falta de significação.
Reinventam-se sons, formas e discordâncias. Tudo em nome do bem de escrever. Às vezes perde-se o sentido. A mistura de palavras, acentos e pontuações torna-se mais forte do que a idéia original. A linguagem domina o escritor, quando deveria acontecer o contrário. Desse lapso decorrem inovações. A linguagem e sua vida própria, alimentada por mentes rendidas por sua força.
fechar
Junho 10, 2008
Fechou-se em vez de desabrochar.
Chorou em vez de sorrir.
Fugiu em vez de ficar.
Foi embora deixando para trás uma felicidade vivida. Trancou-a numa gaveta, aquela da memória, e esqueceu-se dela. Quando é relembrado, finge que nunca a conheceu.
Ficaram para trás os anos aproveitados plenamente, o sabor da intensidade de amar, o jeito meigo no olhar. Fechou-se à compreensão, à compaixão, a fé. Esqueceu-se de Deus e deixou-se envenenar pela mediocridade do homem.
Sumiu. Vez ou outra reaparece como uma saudade ou boa lembrança – só para contradizer a dureza fria da realidade.
ombros tesos
Abril 30, 2008
Ombros, coração e estômago tesos. Tensos. Ansiosos.
Um caminho de felicidades e lutas iminentes. Novos prazes, novas dificuldades. Outras felicidades, sofrimentos diferentes. Uma casa antiga e uma nova. Companhias da vida inteira – para sempre – e um outra, que chega para um futuro sonhado infinito.
Momentos de lágrimas desobedientes e de risos descontrolados. Tempos de gritar e de calar ao mesmo tempo. Vivendo e morrendo. Deixando ir, chegando e voltando. Criação de um novo fluxo de vida. De nova fase – sem perspectiva ou rabisco de fim. Chão que desaparece e novos degrais que surgem.
Desconcentração e obsessão. Paranóia e cabeça vazia. Produção e improdução. Deus e os homens. Os espíritos juntos e os corpos prosaicos. Quem sobrevive? Aliás, sobrevivem?
Vontade de fugir e de ficar. De ter o passado como opção de presente. E de fazer do presente real o mais lindo futuro.
Secura de beber novas águas. De banhar-me novamente e usar novas texturas. De acordar de um outro jeito sabendo que o que é agora e o que será e o que foi também são meus – jeitos.
Vontade de ser perdoada por um pecado que não cometi e de me livrar de fantasmas que não sei por qual razão tentam insistentemente roubar da razão aquilo que lhe é mais precioso, a lógica.
ser e estar
Fevereiro 13, 2008
Chega de pensar, chorar, sofrer, se revoltar.
A hora é de executar
Aqueles sonhos imaginados no distante dos anos anteriores.
Encorajar-se e lançar mão de medos, suspeitas e sentidos.
Apenas fazer, para ser, acontecer e viver.
Hora de realizar e criar um novo hemisfério
Quebrando paradigmas incrustrados de frustações, expectativas e pressão.
Vendo e vivendo o mundo com outros olhos, mãos, bocas e pés.
Caminhando por texturas diferentes, (re) criadas daquelas que já se fizeram ultrapassadas.
Acelerar o andar e abrir os olhos, gerando um novo estar.
Estar bem, viver bem, pensar bem.

