desligamento

Novembro 6, 2008

Está partindo. Será?

A cada dia desliga-se mais. Primeiro foi o bom senso. Em seguida o vocabulário, depois os bons modos, a coordenação motora, o olhar, a vergonha, a lembrança de como rezar.

Agora foi-se quase tudo: a energia, a gordura, a pele – sempre frágil. O olhar, aquele por onde se reconhece o indivíduo. Já não tem mais capacidade. Para comer sozinha, engolir sozinha, andar sozinha.

Não sei onde ela está. Se é que está ainda nalgum lugar. Pele e osso simplesmente. E um sentimento triste, de morte diária.

Será assim para ela também? Para nós é assim.

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